A Viagem – um valor de exemplaridade para o leitor

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A Viagem -Sophia de Mello Bryner Andresen

“A Viagem” (1962) de Sophia de Mello Breyner Andresen conta a história de um homem e de uma mulher que fazem uma viagem.

Esta viagem poderia ser a viagem das suas vidas

O conto tem uma temática específica para a humanidade em geral. De facto, cada história que aparece no livro “Contos Exemplares” tem um valor de exemplaridade para o leitor. As personagens, assim como acontece a um ser humano na vida real, confrontam-se com situações que as obrigam a fazerem uma escolha, que vai definir os seus perfis morais e filosofias de vida.

A procura que o homem e a mulher fazem é o símbolo mais forte da consciência humana. Representa a verdadeira razão existencial. Os protagonistas andam à procura de um lugar maravilhoso, à procura da própria identidade, o meio para atingirem a felicidade.

A atmosfera projeta o leitor num tempo e espaço indefinidos, que sugere o princípio da humanidade

O início do conto introduz o leitor numa certa realidade temporal: “Era o princípio de setembro e a manhã estendia-se através da terra, vasta de luz e plenitude”. O tempo psicológico tem um valor conotativo forte. É percebido pela personagem feminina como parte da vida: “E, dentro do carro que os levava, a mulher disse ao homem: – É o meio da vida”.

Também temos o tempo do discurso narrativo que é dividido entre três períodos importantes: a manhã, a tarde e a noite. Estas três etapas de uma vida representam o percurso da vida desde o princípio até ao fim.

“A Viagem” é uma história constituída por vários símbolos, entre eles, os fundamentais são “a Encruzilhada e o Abismo”. Estes dois constituem uma grande alegoria, que é a da  “Vida como Viagem”.

O conto apresenta uma longa jornada, sem início, com fim desconhecido e percurso complicado

É uma trajetória cheia de encontros e perdas, de êxtases e desesperos, representando verdadeiramente “a própria existência humana”.

Na sua viagem, o casal encontra bons lugares e bons momentos, mas não estava satisfeito. Por isso, insiste na procura de um lugar divino. Mais uma vez, podemos pôr em paralelo o casal e o homem contemporâneo. Este nunca se contenta com o que tem, buscando sempre algo mais.

Os protagonistas têm um nome genérico, “o homem” e “a mulher”

Eles têm como objetivo a procura de um certo lugar. Por isso, o conto constrói-se em torno desse esquema actancial, acrescentado pelo aparecimento do opositor, que aparece em várias formas. Por desaparecerem todos estos opositores, os protagonistas não podem escolher o caminho certo. Dessa maneira, é anulada qualquer tentativa de regresso e qualquer possibilidade de escolha.

A trajetória da viagem pode ser interpretada como o “Caminho da Vida” e o retorno aos objetivos. De facto, é representada como tentativa de uma retomada de decisão. Não se pode voltar atrás, porque as escolhas foram feitas.

O fim do conto é aberto. Dá lugar para um novo princípio, uma viagem para um outro mundo e outro tempo.

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