A rotina de maquilhagem tóxica da Rainha Isabel I

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maquilhagem tóxica da Rainha Isabel
Margot Robbie, no papel da Rainha Isabel no filme "Mary Queen of Scots", Fotografia: facebook.com/MaryQueenMovie

A rotina de maquilhagem tóxica da Rainha Isabel I contribuiu a morte dela por causa dos metais que continha. A atitude excêntrica dela refletiu-se em todos os aspetos da sua existência, um deles sendo os cosméticos que usava. 

A Rainha de Inglaterra e Irlanda, Isabel I, reinou desde 1558 até a sua morte, em 1603. A última monarca da Casa de Tudor é conhecida como uma personagem esquisita na história por causa de rumores, um deles sendo que permaneceu virgem toda a sua vida!

Qual era o padrão de beleza durante o Período Isabelino?

Para poder entender as práticas da Rainha Virgem devemos entender quais eram os padrões de beleza na Época do Renascimento! Uma mulher era considerada bonita se tivesse olhos claros, pele branca como a neve, bochechas e lábios vermelhos e pele numa cor clara.

Uma pele pálida e lisa era um signo de nobreza, prosperidade e riqueza. As pomadas não eram acessíveis, então uma pele deste tipo era bastante rara e difícil de obter. Para dar a impressão de porcelana, as mulheres desenhavam veias falsas acima do pó branco que usavam. Um rosto ideal e bonito em conformidade com os padrões do século XV tinha: uma boca pequena e rosada, um nariz estreito e reto, sobrancelhas finas e arqueadas.

Olhos claros, pele branca, lábios vermelhos, veias falsas – ideais da beleza

Além disso, uma testa larga era considerada um signo de inteligência, então as mulheres rapavam ou arrancavam a linha do início do crescimento dos cabelos para aumentar visualmente a testa. O cabelo devia ser louro ou ruivo, a cintura devia ser fina e os seios grandes para dar a impressão dum triângulo invertido. As mulheres recorriam a vários métodos para obter esta aparência e embora os produtos de maquilhagem fossem caros, isto não significava que eram também seguros.

Rainha Isabel I na juventude
Rainha Isabel I na juventude, imagem: flickr.com

A varíola e a obsessão pela beleza da Rainha

No ano 1562, quando Isabel I tinha 29 anos sofreu uma febre violenta que a imobilizou na cama. Os médicos diagnosticaram-na com varíola, uma doença quase mortal no século XV. Ela não aceitou no início que contactou uma doença tão contagiosa e perigosa, mas quando os sintomas se agravaram aceitou o diagnóstico e temia que ia morrer.

A sua morte dava início a uma série de complicações porque não havia herdeiros. Uma pessoa elegível para o trono era a Rainha da Escócia, Maria, mas os protestantes britânicos temiam as repercussões de ter uma rainha católica.

Felizmente, Isabel I sobreviveu, mas a doença que sofreu deixou-a com cicatrizes permanentes que comprometiam a sua beleza.

Usava produtos que continham chumbo e mercúrio

Numa tentativa de esconder as cicatrizes provocadas pela varíola, a rainha usava maquilhagem branca em abundância. Como base, era celebre o alvaiade veneziano que era, de facto, uma mistura de vinagre e chumbo, um metal tóxico, que, usado para um período longo de tempo, provocava doença e até morte. Outras misturas populares eram a pasta de alume e cinza de estanho, enxofre e outros materiais brancos como base incluindo clara de ovo fervida e talco.

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Os pigmentos vermelhos usados para os lábios e bochechas continham como base garança, cochinilha e ocre, mas a escolha mais popular era o vermelhão que era sulfato de mercúrio.

A pele da Rainha tornou-se rugosa e cinzenta

Por causa desta rotina de maquilhagem tóxica da Rainha Isabel I, a pele tornava-se rugosa e cinzenta, determinando as mulheres aplicarem uma camada cada vez mais consistente. Um outro costume que destruía a pele era o tempo prolongado que as mulheres, incluído a rainha, usavam a maquilhagem. Estas misturas perigosas eram deixadas no rosto para uma semana antes de os limpar. O desmaquilhante era também tóxico, porque continha mercúrio que corroía a superfície da pele.

A rainha Isabel I na velhice
A rainha Isabel I na velhice, imagem: flickr.com

A Rainha Isabel I era consciente que a sua aparência em público devia ser perfeita, motivo pelo qual era em controlo das suas pinturas e dava indicações aos artistas para a pintar numa luz favorável.

Embora a causa da sua morte seja discutível, os metais tóxicos da sua rotina de maquilhagem tiveram um grande efeito sobre a saúde dela. No fim da vida era quase calva, motivo pelo qual usava cabeleiras, era sempre cansada e sofria de perdas de memória e problemas digestivos,signos do envenenamento com chumbo.

Uma rotina de maquilhagem tóxica com metais perigosos parece extrema. Devemos tomar em consideração que a ciência não era tão avançada como hoje, enquanto a obsessão pela beelza ficou igual.

Jamais pensaste na maquilhagem como numa arte? Lê aqui um artigo sobre isso.

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