Anne Frank – a famosa história atormentada de uma jovem judia (parte 2)

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Anne Frank jovem judia
Estátua de cera de Anne Frank em Amsterdão, Fotografia: pixabay.com

Esta é a segunda parte 2 da série “Anne Frank – a famosa história atormentada de uma jovem judia”. Se não leste a primeira parte, podes encontrá-la aqui.

Os Ajudantes e a Resistência Holandesa

A Resistência Holandesa desempenhou um papel importante na Segunda Guerra Mundial. De maio de 1940 a maio de 1945, os Países Baixos foram ocupados pela Alemanha Nazista. Uma grande parte da população judaica foi deportada e assassinada. Milhares de homens foram forçados a trabalhar na Alemanha. Muitos judeus holandeses se esconderam. As pessoas que estavam atrás do esconderijo faziam parte da resistência holandesa.

Victor Kugler (1900 – 1981)

Ele começou a trabalhar para Otto Frank em 1993. Victor lidava com as encomendas e tentou encontrar formas diferentes de aumentar as vendas.

Em 1941, Victor ajudou Otto a manter as suas empresas fora das mãos nazis. Tomou a liberdade de criar a nova empresa Gies & Co. Na primavera de 1942, Otto pediu a Victor que ajudasse as famílias Frank e van Pels, se alguma vez tivessem de se esconder. Victor nunca hesitou.

Eles eram meus amigos, eu não podia permitir que fossem massacrados pelos alemães.

O seu papel como ajudante era bastante difícil. Anne dizia constantemente que a responsabilidade que ele tinha por 8 pessoas era muito grande. Por mais de dois anos, Victor e os outros ajudantes conseguiram manter as pessoas escondidas, longe dos nazistas. Mas em 4 de agosto 1944, policiais holandeses invadiram o prédio e descobriram a verdade.

Johannes Kleiman (1896 – 1959)

Foi Johannes Kleiman quem elaborou o plano de usar o anexo como um esconderijo secreto. Johannes Kleiman conheceu Otto Frank quando ele estava a abrir o banco da sua família em Amsterdão. Johannes era o gerente da filial, tendo o poder de tomar suas próprias decisões pela empresa. O banco não sobreviveu e Otto e Johannes perderam contato, até que Otto e sua família se mudaram para a Holanda em 1933.

Em março de 1941, as forças alemães declararam que os judeus não podiam mais ter os seus próprios negócios. A Opekta passou a fazer parte da empresa alemã Pomosin, enquanto Johannes assumiu o cargo de direto administrativo. Então, começaram a surgir rumores de que todos os judeus seriam presos e ordenados para trabalhar na Alemanha. Johannes sugeriu dessa forma encontrar um esconderijo. Então surgiu a ideia de um anexo secreto. Quando Otto lhe pediu que ajudasse com a mobília e a mudança, Johannes não hesitou e disse:

“Poucos meses antes de irmos para o esconderijo, fornecemos o Anexo Secreto como residência, onde poderíamos sobreviver relativamente bem.”

Miep Gies (1909 – 2010)

Miep Gies
Miep Gies, Fotografia: www.flickr.com

Ela foi a responsável por guardar os escritos de Anne numa gaveta da sua escrivaninha, depois que ela foi presa. Ela faleceu em 2010, aos 100 anos. Miep Gies nasceu em 15 de fevereiro de 1909 em Viena, Austria, como Hermine Santrouschitz. A família Santrouschtz era católica. Como não sobrou muita comida depois da Primeira Guerra Mundial, Miep ficou desnutrida. A sua família decidiu mandá-la para Amsterdão.

Miep não hesitou em ajudar!

Como o seu primeiro emprego, depois de cumprir 18 anos, Miep encontreu Jan Gies. Os dois envolveram-se romanticamente e, em 16 de julho de 1941, casaram-se. Naquela época, Jan estava trabalhando como assistente social no Serviço Social de Amsterdão. Eles encontraram um lugar para ficar em Merwedeplein, onde moraram os Frank. Um dia, Otto ligou para Miep e a informou sobre seus planos de se esconder. Ele perguntou a Miep se estava disposta a ajudá-los. Ela não hesitou um segundo.

Quando Margot recebeu a convocação, em 5 de julho de 1942, Otto e Edith Frank decidiram esconder-se no dia seguinte. Chamaram Miep e Jan para que trouxessem coisas para o esconderijo. Na manhã seguinte, Miep pegou Margo e pedalou até a empressa de Otto no Prinsengracht. Depois que todos se acomodaram no esconderijo, eles estabeleceram uma rotina. Os ajudantes dividiram o trabalho. Miep era o encarregado da carne e dos vegetais. No seu diário, Anne dizia:

Miep é como uma mula de carga, ela busca e carrega muito. Quase todos os dias ela arranja verduras para a gente traz tudo nas sacolas de compras da bicicleta.

Mas no dia trágico de 4 de agosto 1944, os polícias holandeses, governados por SS Karl Josef Sillberbauer, invadiram Prinsengracht 263. Eles apanharam as pessoas que estavam escondidads e os ajudantes Johannes Kleiman e Victor Kugler.

Quando Miep voltou mais tarde ao Anexo Secreto para recuperar alguns dos pertences pessoais, ela encontrou os cadernos e papéis de Anne no chão. Miep juntou tudo e decidiu mantê-los numa gaveta da escrivaninha, esperando que um dia ela pudesse devolvê-los para Anne.

Após a prisão, Miep fez uma tentativa desesperada de libertar as pessoas presas. Mas nenhuma solução funcionou. Algumas semanas depois, Johannes Kleiman foi libertado. Miep e o resto das pessoas continuaram administrando o negócio, esperando que as pessoas do Anexo Secreto voltassem.

Em 5 de maio de 1945, a Holanda estava novamente livre. Em junho, Otto apareceu na porta de Jan e Miep. Ele ficou com Jan e Miep por mais de sete anos. Quando ficou claro que Anne tinha morrido no campo de concentração de Bergen-Belse, Miep entregou os papéis do diário a Otto. Após sua publicação em 1947, Otto pediu a Miep que lesse o livro. Depois ela disse:

Fiquei feliz por não ter lido o livro logo após a prisão, … quando ele estava na gaveta da minha mesa. Se tivesse, teria que o queimar, porque era muito perigoso para as pessoas sobre as quais Anne escreveu.

Durante anos, mesmo depois da guerra, a vida de Miep concentrou-se no legado de Anne. Ela contou aos seus alunos histórias sobre o Anexo Secreto e suas memórias com Anne. No início de 1990, ela escreveu suas memórias, com a ajuda de Alison Leslie Gold. Todos os anos, no dia 4 de agosto, Miep e Jan Gies comemoravam a perda dos seus amigos. Miep disse várias vezes que era tudo o que eles podiam fazer.

Naquela época sombria da guerra, não ficamos à margem, mas estendemos nossas mãos para ajudar os outros. Arriscando nossas próprias vidas. Não poderíamos ter feito mais. 

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