Eu preciso de ti – “Amar ao próximo como a si mesmo”

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Amar ao próximo
Fotografia: pixabay.com

Conta-se uma história que um velho pregador nos cultos dominicais de sua congregação sempre pregava a mesma mensagem com o título “Amar ao próximo como a si mesmo”. O tempo foi passando até que um dia um dos ouvintes levantou-se em meio à pregação e falou em nome de todos os presentes:

–  Pregador viemos a este lugar durante muitos anos e conhecemos vários pregadores que aqui trabalharam por pouco tempo e foram embora, mas de todos eles nunca vimos um como o senhor, que prega sempre a mesma mensagem, cansativamente, domingo após domingo.

O velho pregador olhou calmamente, e com amor e sabedoria respondeu ao homem:

– Perdão, se eu prego sempre a mesma mensagem e se ela faz mal aos seus ouvidos, mas vou prega-la até que ela entre em seus corações e se torne vida em vocês.

O “amor ao próximo”, palavras fortes que falam ao nosso coração, de diversas maneiras, através de pessoas que de alguma forma são colocadas em nosso caminho para que possamos compreender a dimensão do amor que ultrapassa os limites do conhecimento, razão da nossa vã filosofia. Era quinta-feira, aproximadamente 15h30min. Eu estava na URCAMP realizando uma palestra sobre relacionamento familiar, sonhos, objetivos, para alunos da rede estadual e municipal com idades entre 07 a 16 anos.

Durante a palestra fiz a seguinte pergunta a eles:

– Há quanto tempo você não chega em casa e olha bem dentro dos olhos do teu pai e diz “eu te amo”?

Confesso que a minha intenção era levá-los a praticar tais palavras quando chegassem em casa. Creio que naquela tarde era a vida que queria me dizer algo, através do gesto de um garotinho, de aproximadamente 10 anos que lá estava, ele ficou pensativo com a minha pergunta.

Por fim levantou o braço e respondeu:

–  Tio, há 04 anos que eu não digo nada, por que depois que vim embora meu pai nunca veio me ver.

Olhei pra ele e senti em seus olhos a tristeza de quem ama e o silêncio da saudade, pois por algum motivo foi deixado de lado devido alguma circunstância do destino. Lembrei-me de todas as crianças que estão neste momento sem seus pais, irmãos, familiares. Lembrei-me daqueles que um dia foram abandonados, separados, mas que em seus corações amam sem muitas vezes entender por que as separações acontecem. Pois, nós adultos, às vezes esquecemos de perguntar para eles sobre o amor que sentem por nós. Partimos em busca de nossa felicidade querendo que compreendam e aceitem que é natural o amor acabar em um relacionamento.

Naquele momento senti como se estas crianças um dia escrevessem uma carta a seus pais ausentes dizendo:

-Amado Pai, um dia tu, em nome do amor, me concebeu juntamente com minha mãe num momento sublime em que a paixão, amor e o carinho foram exaltados, foi o momento em que a eternidade parecia existir, pois coroava a vossa união, depois de encontrarem-se e decidirem ficar juntos. Pai lembro-me de quando nasci, sua expectativa, aflição, preocupação para que tudo desse certo comigo e minha mãe, lembro-me quando chorei pela primeira vez e depois minha mãe me pegou no colo ainda sujo de sangue do parto, ali, pai senti o amor, através do calor do corpo de minha mãe que me abraçou como se eu fosse o maior bem de sua vida.

Logo depois pude sentir que seus braços me pegaram no colo e que você me dizia:

– Como eu te amo e esperei por você.

Então pai, eu comecei a crescer e entender que o lugar em que eu morava chamava-se lar, um lugar seguro, o lugar a onde aprendi amar, brincar e ser feliz, e a cada dia esperar você chegar do trabalho para te abraçar, dar-lhe um beijo. Sabe pai, minha vida estava completa e nos meus sonhos quando eu crescer quero ser igual a você e ter uma mulher como a mamãe, porque para mim vocês nasceram um para o outro, unidos por um sentimento que ainda não compreendo, mas que deve ser muito bom, por que vi as fotos de seu casamento no qual vocês juraram se amar eternamente.

Ah, pai como é bom viver, como sou feliz e grato por você ter me trazido a existência como fruto deste amor, algo sublime, lindo.

Mas, pai só te peço uma coisa, quando você puder venha me ver, por que mesmo você hoje achando que seu amor não era eterno e que talvez tenha sido um erro ter casado com mamãe, só peço que você entenda que eu não pedi para nascer, mas vou pedir eternamente para que meu amor por você jamais acabe e que você nunca venha sofrer o que eu sofro por não ter você ao meu lado.

Caros leitores, não quero julgar nem acusar ninguém, pois nem eu mesmo me julgo por que sei de minhas falhas e culpas, mas confesso naquela tarde pude sentir toda a dor de um coração que ama e só quer ser amado, foi como se eu ouvisse a pregação do velho sábio insistindo para que um dia nós homens venhamos amar verdadeiramente como uma criança.

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