Cultismo ao ensino superior: Quanto vale o seu diploma?

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Fotografia: Pixabay.com

Durante um período, a busca pelo diploma de ensino superior era tida como um dos principais objetivos profissionais na vida dos jovens. A conquista de um diploma universitário vinha junto da expectativa, por motivos históricos, de uma rápida ascensão profissional, melhores salários, cargos de destaque e estabilidade profissional, mas com a democratização do ensino e uma grande oferta de cadeiras em universidades de todo o país, o diploma que era visto como diferencial, passou a ser tido como critério básico para aqueles que buscam a ascensão profissional.

Dados do Censo da educação superior de 2015 divulgados pelo instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram como surtiu o efeito da democratização do ensino superior no Brasil, onde o número de alunos matriculados em cursos de ensino superior já ultrapassavam os 8 milhões, em contrapartida aos 4,6 milhões em 2005, um aumento expressivo de quase 100%. Outro dado que chama atenção é que desse número de alunos, 93,1% são de alunos que frequentam universidades privadas contra somente 6,9% em universidades públicas.

O ponto negativo trazido por essa democratização dos estudos, é que muitas dessas vagas são ofertadas por universidades de qualidade contestável, como trazido na imagem abaixo:

Fonte: INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

Os dados trazidos pelo resultado do Enade de 2019 mostram a tamanha disparidade entre universidades públicas e privadas em um conceito de medição que vai de 1 a 5, mostrando que apenas 1,4% das universidades privadas avaliadas conseguira atingir a nota máxima (5), universidades essas as quais concentram o maior número de matriculas atualmente.

O ponto é que o ensino de baixa qualidade somado ao excesso de vagas com poucos requisitos e as seguidas crises econômicas, trazem ao cenário mercadológico a dificuldade em absorver tais profissionais, forçando muitos desses profissionais a aceitarem cargos que exigem menor qualificação do que a possuída pelos mesmos e consequentemente que oferecem salários abaixo do esperado, como aponta dados trazidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2018 que aponta que 44,2% dos jovens formados entre 24 e 35 anos exercem atividades remuneradas que requerem menor qualificação do que a obtida pelos mesmos.

Dados apresentados só mostram que o cultismo ao diploma vem diminuindo ano após ano, dado aos benefícios abaixo da expectativa trazidos pelos mesmos, onde a busca por outras alternativas que vão além do caminho comum de estudos se mostra cada mais populares entre os jovens. O fato é que com a democratização do ensino superior o diploma deixa o papel de protagonista e assume o papel de requisito básico para a formulação de um plano de carreira convencional, onde as empresas se sentem confortáveis, dada a oferta, de exigir cada vez mais preparo sem sequer adequar os salários ofertados as qualificações exigidas.

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