A escravidão – o Brasil da Casa Grande e da Senzala

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Escravidão, Fotografia: commons.wikimedia.org

Em 13 de Maio de 1888, princesa Isabel assina a lei áurea, libertando os negros da escravidão. Fico imaginando como foi a alegria dos negros, vindos como escravos da África. Na América de 1501 a 1570 foram aproximadamentes 12,5 milhões de negros escravizados e trazidos para o ocidente. No Brasil chegaram aproximadamente 2 milhões de escravos, para trabalharem na extração de minerais, cultivo da cana-de- açucar e café,oriundos principalmente da Argélia, Angola e Moçambique.

Conforme historiadores, 20% destes negros morriam nos porões fétidos dos navios negreiros, e quando chegavam aqui tinham uma vida privada de liberdade, senso de humanidade por uma sociedade, dita na sua maioria, cristã. O Brasil foi o último país a libertar os seus escravos, isto por que foi pressionado pelos paises abolicionistas do ocidente,até que o império, acuado contrariamente por uma aristocracia branca que era dependente do negro para ter seu lucro, assinou a liberdade.

Felizes por sua liberdade, muitos negros deixaram as fazendas …

Felizes por sua liberdade, muitos negros deixaram as fazendas para ficarem sem terras, sem ajuda governamental, e sem sustento, muitos indo morar em lugares que ninguém queria, a exemplo, na beiradas dos morros, criando oque hoje chamamos de favela. A ajuda do governo brasileiro foi criar uma lei em 1890 que proibia o negro de andar nas ruas e praças, considerando vadios aqueles que desobedeciam, levando-os presos.

O que poderia o negro fazer, não tinham terra, pois em 1850 foi criada uma lei que negro não podiam ter terras, e não podiam estudar, por que em 1837 foi criada uma lei que negro não podia frequentar escolas. Sem esquecermos aqui da Lei do Boi de 1890, onde privilegiava filhos de proprietários em escolas técnicas e universidades. Mas mesmo assim, o governo brasileiro, sempre levantou a bandeira que criava condições para o negro ter seu lugar, num país que ajudou construir, quando na verdade só fazia demagogia para literalmente ” inglês ver”, pois a realidade era outra.

“Casa Grande e Senzala”

Um exemplo desta falsa preocupação, foi exemplificada em uma obra literária chamada “Casa Grande e Senzala”, onde o autor Gilberto Freyre, passava uma ideia que havia uma relação cordial, entre o donos das fazendas e seus escravos, o que na prática era uma inverdade com a finalidade de mascarar uma sociedade, que:

  • violentou mulheres negras,
  • explorou o trabalho infantil,
  • torturou os homens negros rebeldes,

… sem falar nos homícidios bárbaros e atrocidades que eram cometidas por uma sociedade brasileira cristã.

As inverdades que o negro era aceito e livre, também passou pela ciência da época, no inicio do século XX, o antropólogo João Gilberto Lacerda, defendia a eugenia, uma tese que considerava a raça branca superior, e que haveria o branqueamento da população negra, através da miscigenação com outras raças. Afirmava que, em um século, a raça negra desapareceria por ser considerada raça inferior. Se Lacerda soubesse, que no hoje cientistas descobriram pelo DNA, que as diferenças fisicas de pessoas com características diferentes variam somente em 0,1%, e ainda considerando o habitat que vivem, estaria tão decepcionado, como todos aqueles que quiseram tornar o negro um ser inferior.

Mas, diante deste pequeno relato histórico, eu fico pensando: Será que alguma coisa mudou na visão da sociedade brasileira, e do governo? Rapidamente, se pesquisarmos alguns tópicos, teremos uma ideia mais sucinta, no Brasil de hoje os números dizem que a situação do negro ainda é muito grave em consideração a saúde,segurança pública, economia e principalmente na igualdade racial.

Ou seja, evoluimos sim, mas ainda falta um longo caminho, onde na visão social de muitos brasileiros somos o país da Casa Grande e Senzala, e na visão de outros, somos a raça inferior destinada a desaparecer. E o pior de tudo é que nosso império de hoje, afirma aos quatro cantos do mundo que aqui não tem racismo, e se tiver não é importante.

Estou sendo muito injusto? Então vamos lá, em cinco casos você me diz sou injusto, ou não:

  1. Um negro morre a socos, e asfixiado na porta do Carrefur em Porto Alegre no estado do Rio Grande do Sul, muitos justificaram o crime , pois ele tinha uma extensa folha corrida criminal.
  2. A professora Ana Lúcia Martins, a primeira negra eleita vereadora, em Joinville, no estado de Santa Catarina , sofreu ameaças de ser morta, além de palavras preconceituosas.
  3. A primeira vereadora negra eleita, em Curitiba no estado do Paraná , Carol Dartora, sofre ameaças de morte e palavras preconceituosas.
  4. A primeira mulher negra eleita prefeita de Bauru no estado de São Paulo, Suéllen Rosim, é ameaçada de morte e palavras preconceituosas.
  5. A vereadora negra Marielle Franco foi morta no RJ e depois de 2 anos e meio o crime não foi solucionado.

Antes que alguém fale que isto é discurso de esquerda, trago a reflexão que elas não foram ameaçadas de morte por roubarem dinheiro nas cuecas, por terem bunker escondendo milhões,por roubarem da merenda escolar, ou formarem quadrilha para saquear o tesouro, mas por uma única razão, a côr de suas peles. Fico me perguntando, cadê o governo do Brasil? Ameaças a negros são invisíveis? Onde esta o STF ? O congresso? Sociedade brasileira, onde estão os movimentos femininos em defesa da mulher e sua participação na sociedade? Direitos Humanos, onde estão as representações , comissões?

No senado, um projeto de lei 787/15, contra o racismo, levou 5 anos para ser aprovado, e só foi por que morreu um negro asfixiado, mas terá sanção do governo do Brasil?

No STF, já vi ministro prender jornalista por críticas ao STF e Congresso, critícos são presos; Negros legisladores, com ameaça de morte, não são notados? Segundo o site UOl o executivo monitora jornalistas infuenciadores, mas qual importancia tem os negros que sofrem ameaças de morte, realmente isto não importa aos três poderes no Brasil? Vamos esperar uma politica negra ser morta, para depois ter manifestações e leis ,para dar uma resposta a comunidade internacional?

Você ouviu alguma manifestação pública de uma autoridade branca politica, religiosa, judiciária contra estes casos?

Infelizmente, Casa Grande e Senzala ainda é o livro que representa parte da nossa sociedade, que vive num mundo fictício, para esconder suas próprias mazelas, uma sociedade que espera que a eugenia da indiferença acabe com a raça negra, para justificar sua superioridade que nunca houve, e por não importar- se, escondem-se ao debater o racismo, no campo da ideologia política.

Até quando?

Há racismo no Brasil e não podemos mais fugir desta realidade. Aqui podes ler mais.

Fontes:

  • https://istoe.com.br/primeira-vereadora-negra-eleita-de-curitiba-sofre-ameacas-de-morte/
  • www1.folha.uol.com.br/amp/poder/2020/11/primeira-negra-eleita-vereadora-em-joinville-e-ameacada-de-morte-por-vaga-a-suplente-branco.shtml
  • www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/breves/prefeita-eleita-bauru-ofensas-racistas-ameaca-de-morte/amp/
  • http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2013/12/relacoes-raciais-em-casa-grande-e-senzala-ainda-geram-polemica.html
    /www.geledes.org.br/historia-da-escravidao-negra-brasil/amp/

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