Dança até morrer… literalmente, ou o evento da mania de dança

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mania de dança
Fotografia: pixabay.com

Em 1518 havia um evento estranho na cidade de Strasbourg. Uma mulher chamada Frau Troffea começou a dançar sem ter algum controlo sobre o seu corpo. Ela sofria da mania de dança por causa da qual dançou continuamente por seis dias! Os seus pés sangravam e nem importava que estava a cair de exaustão. Continuava na mesma no próximo dia. Brevemente, outros acompanharam-na nessa explosão de euforia inexplicável, como se se tivessem infestado com um vírus esquisito.

Não foi a primeira vez que essa doença eclodiu!

Os casos da mania de dança começaram a aparecer desde o século VII. Um dos primeiros incidentes passou numa cidade chamada Kolbigk, onde algumas pessoas começaram a dançar num cemitério, coisa que determinou um padre a maldizê-las. Um outro incidente semelhante aconteceu em 1188, durante uma cerimónia religiosa em South Wales quando, nota Giraldus Cambrensis dezenas de pessoas dançaram e cantaram no cemitério da igreja até cair no chão.

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Um caso mais violento ocorreu depois da eclosão da peste negra, em Rhineland, Alemanha, em 1374. Justus Friedrich Karl Hecker, um médico alemão descreve no seu livro que a mania afetou entre quinhentas e onze centenas de pessoas que recuperaram normalmente o controlo do corpo dez dias depois da infeção, mas havia também exceções, onde os infestados dançavam até à exaustão.

Uma ligação entre a mania da dança, religião e pressão social

Andrew Davidson, um médico escocês que fez uma pesquisa em 1867, considerou a doença psicológica. Ele associou a doença a motivos religiosos e aos rigores da época. Praticamente, a dança maníaca era uma consequência da austeridade social e religiosa.

Podemos considerar que foi uma resposta do cérebro humano de exteriorizar o estresse provocado pelas condições duras de vida. A doença, conforme a Davidson era induzida por grandes calamidades, como a peste negra, condições políticas e religiosas rígidas, resistência injustificada de autoridade.

A dança maníaca era uma consequência da austeridade social e religiosa

Uma outra teoria era que o envenenamento com ergotina, uma espécie de fungo que afeta o centeio provocava a mania. O ergotismo provoca alucinações e convulsões, mas não é responsável pelos outros comportamentos associados à mania de dança, como a perda do controlo sobre o próprio corpo.

Remédios: música, isolamento, reza e exorcismo

O remédio constava no isolamento dos infetados ou no exorcismo. Considerava-se que a dança era uma maldição trazida por São Vito ou que era causada pela possessão das pessoas pelos demónios, então recorria-se ao exorcismo e à oração. A música tinha também um papel importante, porque as pessoas consideravam-na parte do remédio.

John Waller, um histórico medical, confirmou para Indianexpress.com que uma amálgama de angústia, declino económico, conflito social e crenças religiosas extremas provocou o evento de Strasbourg. O histórico explica também a razão pela qual um tal evento não ocorreu mais desde o século 19.

Porque é que não existe mais essa mania?

Visto que as condições de vida melhoraram e o nível de educação aumentou, os fatores principais que determinavam o adoecimento reduziram-se. Para além disso, é muito raro que a mania acontecer por períodos regulares de tempo.

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