O mito da Medusa: vítima retratada como um monstro (parte 2)

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Medusa

Esta é a segunda parte 2 da série “O mito da Medusa: vítima de estupro retratada como um monstro”. Se não leste a primeira parte, podes encontrá-la aqui!

A história da Medusa vai ainda mais longe…

A maioria das reinterpretações desse mito concentraram-se em tudo o que se seguiu daquele momento. Daí, ela tornou-se em que a maioria de nós conhece – UM MONSTRO. Em seguida, Polidectes ordenou ao semideus Perseu decapitar Medusa e levar a sua cabeça, considerado como um símbolo da vitória.

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Perseu derrotou Medusa com um escudo de bronze refletora. Assim, o semideus conseguiu proteger seus olhos com o escudo e também com esse mesmo objeto a decapitou. Dizia-se que da sua garganta saiu um Pégaso (um cavalo alado).

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Graffiti Medusa, Fotografia: pixabay.com

Depois, Polidectes usa a cabeça da Medusa para derrotar os seus inimigos nas lutas e oferece a cabeça da Górgona a Atena. A Deusa da Sabedoria usa a cabeça dela como o seu próprio escudo. Portanto, através desta história, onde a personagem principal é representada por um homem, essa criatura mitológica foi transformada num símbolo da monstruosidade.

O que significa agora Medusa na cultura do mundo?

Voltando para a Grécia Antiga, Medusa era uma grande força que podia petrificar os homens que olhavam para ela, todavia a mulher com cobras em vez de cabelo tinha a poder de bênção. Por isso, os pintores e os escultores utilizavam a cabeça dela como um símbolo contra os maus espíritos.

Assim, por meio de muitas obras de arte, Medusa é representada mais como uma musa do que um monstro. Um bom exemplo é o mosaico romano que está ao Museu Getty que surpreende com os seus bonitos cachos e um olhar muito elegante.

Libertação, destruição da imagem patriarcal – é isso que Medusa merece!

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Medusa, Fotografia: pixabay.com

Além disso, a imagem dela transformou-se numa força da mudança. Durante a Revolução Francesa, os rebeldes jacobinos a consideraram um emblema da libertação francesa e utilizaram o símbolo demónio dela para prejudicar o sistema.

O poeta Percy Bysshe Shelley foi fascinado pela representação artística da Medusa e escreveu um tributo através do qual destruiu a imagem patriarcal, sendo percebido como um símbolo de terror. Por meio do seu tributo, ela adquiriu de novo o seu brilho e a sua graça.

O homem criou Medusa para difamar o desejo feminino

Contudo, o poeta Percy Bysshe Shelly não foi a única pessoa que considerou que a história de vida dessa personagem foi erroneamente percebida. Hèléne Cixous, uma teórica feminista, afirmou no seu manifesto de 1975 que o homem criou esse monstro por causa do medo em relação ao desejo feminino. Além disso, a feminista afirma também que as mulheres têm o poder de destruir os estereótipos sexistas.

A académica Elizabeth Jognston escreve que: A Medusa foi utilizada continuadamente para demonizar as mulheres poderosas e aparece sempre quando a autoridade masculina se sente ameaçada.

O que está claro sobre o mito da Medusa?

Um único aspeto é claro sobre o mito da Medusa: não há uma verdade universal desse mito. Ela é uma vítima linda, um monstro selvagem, uma deusa poderosa – representa tudo isso e também mais.

Finalmente, a nossa personagem representa a projeção do nosso medo e desejo: um símbolo da raiva feminina, mas também uma personagem sexualizada até mesmo pelas forças patriarcais.

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