A genética tem um impacto inesperado na formação do nosso caráter

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Fotografia: pixabay.com

Quando chegamos adultos, temos a impressão que encontrámos o próprio caminho e que o nosso comportamento é unicamente baseado nas próprias experiências. Mas a genética mostra que alguns traços de caráter são herdados dos nossos pais! Isso acontece através dos genes transmitidos de geração em geração, responsáveis pela nossa atitude.

É natural receber algumas caraterísticas fisionómicas ou comportamentais, mas os estudos mostraram que a genética influência mais aspetos da nossa vida do que podemos imaginar.

1. A empatia

A empatia tem um papel importante nas nossas vidas visto que nos ajuda criar relações com as pessoas, travar amizades. Além disso, influencia o modo em que agimos em várias situações.

Um estudo com 46.000 de participantes mostrou que há uma ligação entre a empatia e os genes.

Mostrou também que as mulheres são mais empáticas do que homens! Embora este traço de caráter seja especialmente adquirido através das experiências de vida e da infância, os especialistas fizeram outra pesquisa. Eles mediram o coeficiente da empatia através dum questionário e analisaram o ADN através das amostras de saliva. Descobriram que pelo menos 10% das diferenças entre pessoas no que diz respeito à empatia deve-se à genética.

2. O gosto pela viajem

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És o tipo de pessoa que tem sempre sede de aventura, ou, ao contrário, gostas da estabilidade e do conforto na própria casa?

O desejo de viajar parece ser ligado a um excesso de dopamina, o hormónio do prazer e da recompensa.

O excesso da dopamina foi associado à variação genética DRD4-7R que determina a necessidade repentina de partir. O alelo 7R+ é também responsável pelo aumento da curiosidade, que nos impulsiona provar comidas novas, buscar experiências e visitar lugares novos.

Estima-se que 20% da população disponha desse gene. Infelizmente, há também consequências: essa variação genética é também ligada às obsessões pelos jogos de azar e aos vícios. Outra particularidade é que DRD4- 7R está intimamente associada ao TDAH.

3. O jeito para conduzir

Um estudo de 2009 dum grupo de neurocientistas da Universidade de Califórnia tentou encontrar uma ligação entre a genética e as habilidades das pessoas que conduzem. 29 pessoas participaram numa simulação que teve como propósito imitar as condições difíceis de conduzir.

7 participantes com os piores resultados apresentaram a mesma variação genética.

De facto, essa variação causa a produção insuficiente duma proteína que determina a simulação mais fraca duma parte do cérebro durante certas atividades, entre as quais a condução. Contudo, são necessárias mais provas para determinar se a habilidade de conduzir é diretamente herdada através da genética. Um modo mais prático de explicar essa ligação seria através das aulas de condução que os pais oferecem aos filhos, passando, assim, os mesmos comportamentos.

4. A preguiça

Uma vida ativa representa um passo importante em manter a saúde física e mental dos nossos corpos. Mas, quantas vezes preferiam o telemóvel, ou ver um filme em vez de praticar desporto? É possível este traço de caráter ter uma explicação genética.

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Um investigador da Universidade de Missouri identificou uma diferença genética nos ratos inativos que pode ser ligada também ao comportamento sedentário dos homens. O estudo foi realizado sobre 160 ratos, 80 másculos e 80 fêmeas. Foram divididos em duas categorias: ativos e preguiçosos e todos os ratos foram emparelhados com um roedor que fazia parte do seu grupo.

Mostrou-se que os ratos mais inativos tinham uma quantidade menor do Gene Alfa inibidor de Proteína Quinase.

Apesar do estudo ter um resultado satisfatório, o professor Frank Booth da Universidade de Missouri declarou que uma doença cronica é causada não só por um, mas por uma combinação de genes. Contudo, esse estudo seria o primeiro passo para entender quais são os fatores que contribuem a inatividade física e encontrar algumas modalidades de prevenir as doenças resultadas deste comportamento insaudável.

 

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5. O prazer de tomar café

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Há pessoas que podem beber 3 cafés por dia e outras que não gostam do café ou que só bebem um café com leite. Os bebedores regulares de café desenvolvem um nível de tolerância à cafeína enquanto os outros evitam-no porque lhe provoca sentimentos de ansiedade, falta de sono ou náuseas. A reação da segunda categoria pode ser provocada por uma variação pequena dum único nucleótido no teu ADN.

2 genes contribuem nesse processo: CYP1A2 que produz uma enzima hepática e AHR que controla a produção desta enzima

O gosto pelo café tem a ver primeiro com o modo como o metabolismo reage à cafeína. Mostrou-se que dois genes contribuem nesse processo: CYP1A2 que produz uma enzima hepática com o papel de metabolizar por volta de 95% da cafeína ingerida e AHR que controla a produção desta enzima. Um papel importante tem também o gene ADORA2A que controla os recetores de adenosina. Variações deste gene provocam insónia, ansiedade e transtorno de pânico.

Quem é mais inclinado ao aperceber o amargor do café gosta desta sensação provavelmente porque é associada aos efeitos farmacológicos da cafeína.

A preferência de beber ou não café foi ademais ligada ao gosto e cheiro. Um estudo feito pela pesquisadora de sabor e cheiro Danielle Reed mostrou que os participantes que bebiam café diariamente consideravam a cafeína líquida pura mais amarga do que aqueles que bebiam menos. A professora concluiu que aqueles mais inclinados ao aperceber o amargor do café gostam desta sensação provavelmente porque é associada aos efeitos farmacológicos da cafeína. Outra explicação pode ser que esse tipo de pessoas têm uma apreciação melhor dos alimentos, o que lhes permite experimentar a amargura e o prazer ao mesmo tempo.

Sabias sobre esses traços de caráter inesperados herdados dos pais? Você encontrou alguma ligação entre o seu comportamento e aquele dos pais?

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